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Precisamos Falar Sobre o Kevin – estréia da coluna Cinema com Mel, por Melissa Lipinski.

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ATENÇÃO: O texto pode conter citações sobre o desenrolar do filme. Caso não tenha visto o filme ainda, tenha cuidado ou o leia após assisti-lo.

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011)

Estreia oficial: 21 de outubro de 2011
Estreia no Brasil: 27 de janeiro de 2012

Com uma introdução que já dita qual será a cor predominante de toda a sua narrativa, a cineasta Lynne Ramsay mergulha sua protagonista, Eva (Tilda Swinton) em um vermelho sangue (fruto, literalmente, de uma ‘massa’ de tomates).

O roteiro de Ramsay e Rory Kinnear (baseado no livro homônimo de Lionel Shriver) mostra a relação patológica e doentia entre Eva e seu filho Kevin (vivido por Jasper Newell na infância, e Esra Miller na fase adolescente).

Kevin, aliás, é praticamente o ‘mal encarnado’ e, desde os primeiros dias de sua vida parece ter um único propósito durante sua existência: destruir a vida de sua progenitora – aliás, um belíssimo plano, fechadíssimo no olho do garoto, mostra um alvo (numa metáfora inteligente e elegante) refletido em sua pupila.

Se bem que Eva não é lá das melhores mães. Desde a gravidez mostrando-se incomodada com a situação, o grito que solta durante o parto do garoto carrega toda a dor e terror nos quais sua vida se transformará a partir deste momento. Sem paciência alguma com o filho, desde que este era apenas um bebê de colo, Eva chega a se sentir reconfortada ao ouvir o irritante barulho de uma construção para não mais escutar o ensurdecedor choro do garoto quando encontram-se sozinhos. E, por mais que Kevin revele-se a pior criança do mundo, há uma cena que mostra uma violência injustificável por parte de Eva.

E, voltando a Kevin, devo dizer que, desde pequeno, o garoto mostra-se manipulador e dissimulado ao extremo, posando de bom filho toda vez que seu pai, Franklin (John C. Reilly) está presente, e não fazendo nenhuma questão de esconder suas expressões e intenções em frente da mãe. Da mesma forma como é capaz de mentir sobre a crueldade desmedida cometida por esta para o pai, apenas para poder usar o fato como elemento de poder sobre Eva.

De forma inteligente e extremamente eficaz, a narrativa vai e volta no tempo, mostrando tanto o desenvolvimento de Kevin e seu crescente ‘instinto psicopata’; como uma Eva arruinada, que vive completamente sozinha, é odiada por quase todos que a encontram pela rua, e anda por toda a parte com um imutável semblante de dor e sofrimento. Assim, vamos construindo de forma progressiva, a tragédia que sabemos (e também não queremos acreditar) que ocorreu.

Aliás, a montagem de Joe Bini merece aplausos pela destreza de sua fluidez pelos diferentes tempos narrativos, e pelos eficientes cortes e raccords que realiza – há um momento, em particular, onde vemos Eva mergulhar seu rosto na água, apenas para, rapidamente, transformar-se no rosto de Kevin, e depois voltar a ser Eva, numa continuidade que não apenas funciona tecnicamente, como, narrativamente, demonstra a comunhão e dependência que há (mas que até então não sabemos existir) entre mãe e filho. Há também outros belos cortes que mostram uma mesma personagem realizando uma mesma ação porém em tempos diferentes; como quando Eva caminha, grávida, por um corredor, e continua caminhando, em outro momento num outro corredor.

Mas não apenas a montagem das imagens merece destaque, o design de som do longa também é algo admirável, trazendo antecipações de alguns ‘símbolos’ sonoros que vamos entender apenas ao final da história; assim como a justaposição de ruídos ou diálogos em diferentes tempos da narrativa, e que já anunciam (mesmo que no momento não nos damos conta disso) o que está por vir.

Há ainda a cuidadosa direção de arte, que de forma nada discreta – mas extremamente simbólica e eficaz – satura todas as cenas com elementos em tons vermelhos que remetem, obviamente, à obsessão, ao sangue, à violência. E não é por acaso que Eva passa boa parte da trama limpando a fachada de sua casa de uma tinta, claro, vermelha, jogada em algum tipo de vandalismo: é como se ela tentasse limpar, esfregar para fora de sua vida, toda a tragédia que se abateu sobre ela.

De forma menos escancarada está a correta fotografia de Seamus McGarvey, que ganha pontos por sempre mostrar os momentos do passado entre Eva e Franklin fora de foco ou com uma câmera ‘tremida’, como se fossem lembranças quase esquecidas de um tempo feliz e que, há muito, foi deixado para trás.

Complementando tudo isso, há ainda o formidável elenco. John C. Reilly pouco pode fazer, mas empresta seu ar meio bonachão a um sujeito incapaz de realmente ‘ver’ o filho que tem, mas isso torna-se completamente plausível ao constatarmos o quão distraído ele é – basta dizer que ele nem sequer percebe que sua esposa está grávida de meses. E, se Jasper Newell consegue transformar Kevin em uma criança detestável; Ezra Miller faz um trabalho fenomenal compondo o Kevin adolescente como um verdadeiro psicopata, e basta seus olhares para constatarmos isso. Mas o filme é mesmo de Tilda Swinton, e de sua espetacular atuação. A atriz consegue retratar com maestria as diferentes fases que sua personagem atravessa: de uma felicidade jovial, ao desespero em não conseguir ser uma boa mãe, passando pela impaciência e frustração em ver seu filho odiá-la, e a extrema precaução que passa a ter quando, já convencida da mal-caratice de Kevin, tenta proteger sua filha mais nova, até chegar ao estado deplorável de uma mulher que viu sua vida ser destruída. E, se isso não bastasse, a atriz ainda consegue mostrar apenas com o olhar, toda a esperança em criar uma conexão com o filho ainda pequeno diante de um ato de carinho deste. E, se a princípio sua relação com o garoto mostra-se totalmente ‘normal’ (dentro da ‘anormalidade’ da lógica da história), aos poucos vai se revelando como uma dependência, um vício que, infelizmente, nenhum dos dois pode largar (e a cena em que Eva, em sua nova casa, arruma o quarto do filho, é a prova disso).

Conduzindo o longa de forma fluida e com rimas extremamente elegantes, Lynne Ramsay dirige-o de maneira precisa e inteligente, criando momentos memoráveis, como o fato da tal conversa sugerida pelo título da produção, constantemente sugerida por Eva, ser sempre interrompida; ou a cena em que, mesmo sem vermos, sabemos exatamente a maldade que Kevin cometeu ao pequeno hamster de sua irmã; ou uma trava de um armário que é coloca em destaque na composição de um plano, para, em um momento seguinte, sabermos que é o elemento importante num acidente doméstico; ou no ápice dramático do filme, onde Ramsay estende até o limite do possível o plano de uma cortina esvoaçante para, ao mesmo tempo em que aguça a nossa curiosidade para vermos o que sabemos inevitável, faz com que torçamos para que ele não seja verdade.

Contando com um final que engrandece ainda mais a sua narrativa, “Precisamos Falar Sobre o Kevin” traz o personagem do título no melhor momento de seu protagonista, brindando-nos com um olhar indefinível, que coloca-nos a dúvida se ele realmente arrepende-se de seus atos de violência descabida, ou é apenas mais uma de suas artimanhas para tornar a vida de sua mãe em um infinito martírio.

Eu confesso que preciso falar, e falar, e falar sobre o Kevin, seja para entendê-lo, maldizê-lo, ou simplesmente contemplá-lo, numa relação de amor e ódio que, admito, herdei de Eva – afinal a escolha do nome da protagonista também não terá sido em vão…

Fica a dica!

Por Melissa Lipinski/Cinema com Mel
http://cinemacommel.blogspot.com/

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Coluna: Informativo Sul da Ilha – Para que serve aquele bico enorme do tucano?

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Para que serve aquele bico enorme do tucano?

Fora as funções óbvias, alimentação, defesa e comunicação visual, não havia uma explicação convincente para seu tamanho. Pois pesquisadores brasileiros e canadenses publicaram na revista Science a descoberta de uma nova função: termorregulação.

O tucano consegue direcionar o fluxo de sangue para seu bico de maneira a controlar sua temperatura corporal, processo idêntico aos elefantes com suas orelhas.

O estudo indicou ser este bico, altamente vascularizado, transferindo ou captando rapidamente calor com o ambiente. Processo semelhante a um radiador. Quando está quente ele aumenta o fluxo de sangue para o bico e irradia o calor. No frio, faz o contrário e retém as calorias, mantendo a temperatura corporal.

Ainda segundo os pesquisadores, é provável, que esta seja uma característica de todas as aves mas nos tucanos isso fica mais evidente pela proporção de seu bico com o corpo.

Pela visão evolutiva, fica difícil uma certeza se a termorregulação foi causa ou efeito do tamanho do bico destas aves. Isto exigiria pesquisas mais aprofundadas.

Os animais usam diferentes técnicas para controlar sua temperatura corporal. O elefante abana suas orelhas pois a pele e bem fina neste órgão, o humano, transpira no calor e se agasalha no frio. Em registros fósseis já se encontrou essa característica.

Para Charles Darwin, o bico, atuava mais como chamariz para seleção sexual.

Por Sérgio Aspar

DUB INCORPORATION Reggae / DUB – Saint Étienne – França

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Uma banda pouco conhecida por aqui que traz o que há de melhor na cena reggae francesa, Dub Incorporation foi formado em 1997 em Saint Étienne. Combina uma mistura de estilos como o reggae dançante, dub, ska e até hip hop, muita influência de música africana e árabe nas melodias e o mix de inglês e francês nas letras cantadas pela dupla de vocais; Bouchkour que traz o vocal tradicional do “roots reggae” e Komlan que tem a energia e o estilo “ragga dancehall” na voz.

Como o próprio nome da banda diz, o “Dub” também é muito utilizado. Desde o final dos anos 60 na Jamaica esse recurso é muito utilizado principalmente por bandas de reggae, inicialmente foi uma forma de remix onde se retirava grande parte dos vocais e se valorizam mais o baixo e bateria. Muitas vezes também se incluía efeitos sonoros como tiros, sons de animais, sirenes de polícia, etc. Suas bases foram usadas posteriormente em todos os estilos de música eletrônica moderna. Hoje em dia o Dub já é considerado um estilo musical e não mais uma mera forma de remix.

Em 2001 o Dub Inc. começa a ser mais conhecido fora da região de Saint Étienne e ganham a França, onde fazem muito sucesso até hoje, também são bem conhecidos em Portugal, Espanha, Polônia, Bélgica, Alemanha, Itália, Grécia e Suíça.

Discografia:

• Dub Incorporation 1.1 – 1999
• Version 1.2 – 2001
• Diversité – 2003
• Dans Le Decor – 2005
• Live – 2006
• Afrikya – 2008
• Hors Controle – 2010

Vídeos:

My Freestyle: 

Rudeboy: 

Outras boas bandas francesas de reggae:

Raspigaous: http://grooveshark.com/#/artist/Raspigaous/481052

10Ft. Ganja Plant: http://grooveshark.com/#/artist/10+Ft+Ganja+Plant/388317

Fc Apatride Utd: http://grooveshark.com/#/artist/Fc+Apatride+Utd/1556352

Vale a pena escutar!

Por Fabio Marenda/Coluna Alternativa