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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O dia anterior…

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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O dia anterior…

São Borja, 18 de dezembro do ano de 2011 – passava do meio dia, soprava um vento abafado, um indicativo do que enfrentaríamos nos próximos dias, numa região que anda sofrendo com a falta de chuva.

Estava de volta ao lugar, quase 20 anos depois da primeira visita. Naquela época, a região das Missões, ficava no sentido oposto daquele que deveria seguir.

Mas na tarde deste domingo azul de dezembro, estava pronto para caminhar pelos próximos 13 dias seguintes, num terreno nem sempre plano e com algumas dificuldades, temperatura “saariana” e muitas, muitas pedras no caminho. A foto acima mostra o último pedaço de chão calçado que viríamos antes de completar nossa jornada de mais de 300 km.

Da rodoviária, fui ao ponto de encontro, onde encontraria meu parceiro de viagem, Renato Lima (caminhante de profissão), que só aportaria pela cidade na décima oitava hora do dia. Da minha parte, em relação à aventura de 13 dias, nenhuma expectativa extra. Pensando bem, era uma loucura total, maas…

Mas era também um desafio interessante! Estaria livre do incomodo da correria da última semana do ano, sempre agitada e desgastante. Evitaria ruas abarrotadas, praias lotadas, telejornal e catástrofes de fim de ano.

Optei por andar.

Enfim, cada macaco no seu galho.
E como tinha macaco por lá, como o primo distante da foto acima. No ponto de encontro, num sítio bem na saída da cidade, bem próximo também da ponte internacional, que liga o Brasil à cidade de Santo Tomé na Argentina, fica o ponto zero do asfalto. Dali em diante, comemos poeira todos os dias. O sítio Preserva, é um lugar aprazível, aconchegante, com muitas árvores, histórias, animais silvestres, domesticados e outros selvagens como o jacaré. O sítio fica há poucos quilômetros do rio Uruguai. Um gigante, que tive o prazer de navegar e sentir o frescor de suas águas e deliciar-me com um saboroso banquete de Surubin (peixe delicioso, com muita carne).

No Preserva, conhecemos Javier (exímio Hermano) e Tatiana (bailarina e nossa patrícia) e a filinha do casal (uma legítima binacional). Ali, conhecemos nosso outro parceiro de caminhada, o experiente Pedro (para nós, Pedro Missioneiro), que vez ou outra cai na estrada por hábito e diletantismo. Ali, descobrimos que seríamos três malucos na estrada. Um misto de aventura e loucura. E assim foi! O Sítio da Tatiana e do Javier é uma experiência bem interessante de propriedade rural destinada ao turismo e a produção de bens e serviços in-natura regional. Lá eles produzem um pouco de tudo. E tudo muito bem feito, feito com carinho. Mais que recomendo!

Sítio Preserva: www.sitiopreserva.com.br

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Na propriedade, eles têm de tudo um pouco e aquilo que não produzem, trocam com outros produtores nas mesmas condições, incentivando a circulação de bens e serviços entre a comunidade e aumentando as chances dos produtos tornarem-se mais conhecidos dos diferentes públicos que circulam pela região e pela propriedade.

Diga-se de passagem, uma região de fronteira.

Experimentamos um pouco de cada coisa. Pra falar bem a verdade, nestes 13 dias, fizemos uma coisa muito interessante, além de andar muito, comemos muito bem também. Mas falaremos mais sobre comer bem, nos demais posts. O resultado incrível dessa jornada foi conhecer gente nova pelo caminho, suas diferentes histórias e sentir-se também num outro tempo, menos apressado, exigente e consumista. Construímos relações saudáveis, bem diferente daquela pressão e do nervosismo que a grande cidade imprime nas pessoas. Nestes dias pudemos ouvir e se ouvidos na plenitude. Por mais comprido que eram os dias, por mais solitário que fosse o caminho, não falamos de futebol, de violência, de compras, do ronco do motor, ou seja, das bobagens que se é obrigado a ouvir quando se está entre amigos.

Ficamos alheios aos acontecimentos do mundo, sem saber quantas pessoas morreram nas estradas, sem saber se o shopping center lotou ou não para o natal, sem saber se choveu ou se fez sol. A única coisa que sabíamos, era que todos os dias, antes mesmo do sol nascer e da noite se por, estávamos de pé, fazendo os últimos ajustes nas mochilas para colocar os pés cansados na estrada novamente.

De hoje em diante, você acompanhará os relatos dia a dia, dessa experiência na região dos Sete Povos das Missões. Vou tentar contar um pouco da história, da culinária e do caminho. Falar sobre essa terra “americana”, que foi espanhola antes de ser portuguesa, mas acima de tudo brasileira. Uma terra onde a gente Guarani, criou uma sociedade muito além da nossa compreensão, mas destruída e consumida pela ganância e inveja. Diria até cruelmente massacrada.

Na foto, primeiro Pedro Veras, no centro Eu (marcelo Ferraro), depois Renato Lima.

Portugal fez grandes feitos na história, como bem disse Fernando Pessoa, “o mar sem fim é português”, mas sempre com um ônus muito grande. A toda gente que encontrou pelo caminho, quase sempre destruiu, o que o tornou pequeno demais o seu feito, ao menos do meu ponto de vista. Talvez fosse o caso de dizer que a experiência das Missões no Brasil, foi uma experiência espanhola, e que o Brasil, seja ele colonial ou não, fez questão de não mencionar este pequeno detalhe. E ao ver o que sobrou das reduções missioneiras, tenho quase que certeza que faz muito pouca questão de preservar essa memória viva ainda hoje.

Confesso não ter certeza, se é bom ou ruim.

O fato é que tudo aquilo é imponente demais. Magnífico demais. Para não ser cuidado!

Se você quiser saber mais sobre o caminho acesse: http://caminhodasmissoes.com.br/

Por Marcelo Ferraro/ editor do floripacool.com
http://about.me/FERRARO

Sítio Preserva: BR 285, km 677, São Borja, Brasil
Faixa de preços
R$ 30,00 a 50,00
E-mail: reservas@sitiopreserva.com.br
Telefone (55) 34312653

DUB INCORPORATION Reggae / DUB – Saint Étienne – França

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Uma banda pouco conhecida por aqui que traz o que há de melhor na cena reggae francesa, Dub Incorporation foi formado em 1997 em Saint Étienne. Combina uma mistura de estilos como o reggae dançante, dub, ska e até hip hop, muita influência de música africana e árabe nas melodias e o mix de inglês e francês nas letras cantadas pela dupla de vocais; Bouchkour que traz o vocal tradicional do “roots reggae” e Komlan que tem a energia e o estilo “ragga dancehall” na voz.

Como o próprio nome da banda diz, o “Dub” também é muito utilizado. Desde o final dos anos 60 na Jamaica esse recurso é muito utilizado principalmente por bandas de reggae, inicialmente foi uma forma de remix onde se retirava grande parte dos vocais e se valorizam mais o baixo e bateria. Muitas vezes também se incluía efeitos sonoros como tiros, sons de animais, sirenes de polícia, etc. Suas bases foram usadas posteriormente em todos os estilos de música eletrônica moderna. Hoje em dia o Dub já é considerado um estilo musical e não mais uma mera forma de remix.

Em 2001 o Dub Inc. começa a ser mais conhecido fora da região de Saint Étienne e ganham a França, onde fazem muito sucesso até hoje, também são bem conhecidos em Portugal, Espanha, Polônia, Bélgica, Alemanha, Itália, Grécia e Suíça.

Discografia:

• Dub Incorporation 1.1 – 1999
• Version 1.2 – 2001
• Diversité – 2003
• Dans Le Decor – 2005
• Live – 2006
• Afrikya – 2008
• Hors Controle – 2010

Vídeos:

My Freestyle: 

Rudeboy: 

Outras boas bandas francesas de reggae:

Raspigaous: http://grooveshark.com/#/artist/Raspigaous/481052

10Ft. Ganja Plant: http://grooveshark.com/#/artist/10+Ft+Ganja+Plant/388317

Fc Apatride Utd: http://grooveshark.com/#/artist/Fc+Apatride+Utd/1556352

Vale a pena escutar!

Por Fabio Marenda/Coluna Alternativa

Alternativa – STREETLIGHT MANIFESTO – Ska/Punk

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Alternativa – STREETLIGHT MANIFESTO – Ska/Punk

New Brunswick / New Jersey / USA

Banda pouco conhecida no Brasil, formação básica de punk rock e HC com bateria, baixo e guitarra, também um quarteto de músicos virtuosos nos metais fazendo a parte do Ska; trompete, trombone, sax tenor e sax barítono. Músicas rápidas e trabalhadas do início ao fim e letras de protesto Streetlight Manifesto foi fundado em 2002 por músicos respeitados da cena Ska de New Jersey.

Com várias mudanças ao longo da carreira, o vocalista e guitarrista Toh Kay (ex Catch 22) é único integrante da formação original, é ele que escreve a maioria das letras e toca também com o B.O.T.A.R. “Bandits of the Acoustic Revolution”. Tanto o Streetlight como o Bandits são membros do The RISC Group, uma espécie de cooperativa de artistas que produzem eles mesmos e tem todos os direitos sobre as suas próprias músicas.

Desde 2003 são quatro álbuns: “Everything Goes Numb/2003”, “Keasbey Nights/2006”, “Somewhere in the Between/2007” e o último, “99 Songs of Revolution/2010” só de covers de bandas que os influenciaram.Incluindo Linoleum do Nofx e Skyscraper do Bad Religion.

Passaram esse ano pelo Brasil em julho, foram três apresentações em diferentes cidades com lotação total das casas. Tive a oportunidade de ir ao show de Curitiba e realmente valeu a pena, música alternativa de alta qualidade.

Apesar da banda não ser muito popular, receberam reconhecimento no cenário da música alternativa e seu álbum de estréia esteve no top 100 da Interpunk.com. Hoje em dia é uma das principais bandas do “terceira onda do Ska”, a primeira começou nos anos 50 na Jamaica. Seus shows normalmente têm esgotado todos os ingressos. Atualmente estão dividindo o palco com Reel Big Fish em turnê pelos Estados Unidos.

Vale a pena escutar!

Outras bandas:
REEL BIG FISH: http://grooveshark.com/#/album/Everything+Sucks+EP/4188108
LESS THAN JAKE: http://grooveshark.com/#/album/Anthem/107952
CATCH 22: http://grooveshark.com/#/album/Catch+22+Live/268250

http://streetlightmanifesto.com/

Por Fabio Marenda/Colunista do Alternativa
Toda Terça!! Floripa Cool!!!