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Cervejeiro visita fábrica e se redime com os santos

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Oásis da cerveja. Um pub que serva a urquell não filtrada à vontade. Foto: Roberto Fonseca/AE Uma das maiores vergonhas de um cervejeiro é ter ido a um país que é berço de estilo mundialmente famoso da bebida sem pisar em nem sequer uma de suas fábricas. Vivi essa agonia com a Pilsner Urquell, criada em 1842 e mãe do estilo pilsen. Fui a Praga em 2002, mas leigo à época, não cogitei ir a Pilsen, lar da Urquell. Pelos anos seguintes, imaginei que, se não fizesse a devida peregrinação, seria, tão logo desse meu derradeiro gole, levado a um tribunal e julgado pelos grandes patronos cervejeiros, Santo Agostinho, São Venceslau, São Arnoldo e São Columbano. “Você não prestou a devida homenagem ao estilo pilsen”, diriam. No instante seguinte, lá estaria eu, condenado à eternidade como figurante em comercial de cerveja industrial de péssima qualidade. Resolvi tomar uma atitude em maio deste ano, conciliando a visita cervejeira com a possibilidade de visitar Praga em dias ensolarados. O roteiro começou longe dos bares da praça da cidade velha (Staromestské námestí ), que cobram uma fábula de turistas que querem tomar a Urquell ao ar livre, olhando o relógio astronômico. Para o bem e o mal, a cidade ficou bem mais turística. Uma das amostras dessa mutação ocorreu na visita ao U Fleku, tradicional cervejaria e pub de Praga, do final do século 15, famoso por sua bela dark lager, com notas de toffee, chocolate, torrado e café. Cheguei sedento para reencontrar a cerveja, mas o que vi foi um garçom agitando insistentemente um copo de schnaps – destilado com forte sabor de álcool. Depois do quinto “não”, capitulei. Um erro, pois ele “amortece” a boca e tira a sensibilidade para as sutilezas da cerveja. O serviço é turístico (leia-se, rápido), o que tira o prazer de sorver a cerveja com calma. Mas vale a visita, principalmente se acompanhada de um tour pelos antigos equipamentos da cervejaria. Também é possível levar uma(s) garrafa(s) da cerveja para casa. No dia seguinte, saí da Hlavní nádraží , a estação central de trem, para Pilsen. A parada final fica a poucos metros da fábrica da Urquell. A entrada chama atenção, com seu portão de pedra com esculturas erguido em 1892, quando a cervejaria fez 50 anos. A primeira parte da visita é burocrática, mas melhora com o “raio-x” da cerveja, do nascimento e crescimento do lúpulo à prova dos ingredientes (se não gosta de amargor, cuidado com o lúpulo). Mas por que, na própria República Checa, quase não se veem placas com o nome local da cerveja (Plzenský Prazdroj), e sim no alemão Pilsner Urquell? O guia explica que a mudança tem razões turísticas: o nome globalizado é mais fácil de pronunciar. O ponto alto da visita é a passagem pelos túneis sob a fábrica, que por muitos anos serviram para manter a cerveja abaixo de 8° C, temperatura ideal de maturação. Por um buraco no nível do chão, eram jogadas grandes quantidades de gelo em um salão subterrâneo; quando derretia, a água gelada escorria pelos corredores e resfriava as galerias. No fim do gelado percurso, o visitante prova a Urquell maturada em barris de madeira, sem filtragem. É só um copinho, mas vale cada gota: com o fermento, a cerveja mantém notas mais destacadas de lúpulo no aroma e no sabor, além de um amargor fino. Infelizmente, entre os vários itens que podem ser comprados na loja da fábrica não há uma versão to go dessa receita. A boa notícia é que, não longe de lá, ao lado de um museu da cerveja, fica o Na Parkánu, um pub que serve a Urquell não filtrada à vontade. Embora a fábrica tenha se modernizado e a produção em barris de madeira tenha hoje mais objetivos turísticos que de comercialização, é uma emoção visitar a terra natal da pilsen, principalmente ao passar pelos portões da fábrica de volta ao resto do mundo, repleto de cervejas sem aroma e sabor que nasceram como cópias da Urquell. No caminho para a estação, um “brinde” de despedida da fábrica, que, com a produção em andamento, despejava no ar um delicioso aroma de malte e lúpulo, sentido até a porta do trem. Por OESP/Paladar

Louras e morenas no Brasil: cervejas Checas vendidas aqui

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Pilsner Urquell

A cerveja perdeu parte de seu brilho por questões comerciais e o transporte entre os países – sempre penoso. Mas continua sendo a melhor do estilo entre as importadas disponíveis por aqui. Bela combinação entre malte, que confere notas de biscoito e adocicadas, e lúpulo, com elementos cítricos e algo herbais. Amargor destacado, bastante superior a boa parte de nossas ditas pilsens. Outra marca da Importbeer

Primator Weizenbier

Uma das tentativas de produtores checos da cidade de Náchod de fugir da dupla pilsen/dark lager com uma weissbier de estilo alemão. Notas de banana e cravo suaves no aroma e sabor. Os dois elementos, porém, poderiam aparecer de forma mais intensa, com um pouco mais de corpo, mesmo em um estilo que prevê cervejas mais suaves. Vendida pela Importbeer (http://www.ibeer.com.br/)

Czechvar

A Budvar checa, que, nas Américas, tem de mudar de nome pela briga de patentes com a Budweiser. Também uma boa cerveja, com bom amargor e balanço entre malte e lúpulo. Mas perde um pouco em intensidade e complexidade para a Urquell. Vendida na Uniland (http://www.uniland.com.br/)

1795

Produzida em Ceské Budejovice, como a Czechvar, segue a mesma receita de equilíbrio entre malte e lúpulo, com amargor mais moderado que o da Urquell, mas bastante presente. Comercializada pela Bier & Wein (http://www.buw.com/)

Starobrno

Produzida na cidade de Brno, segue a linha da 1795, com amargor mais moderado e mais fácil de beber, mas mantém boas notas de malte e lúpulo no sabor. Vendida também pela Importbeer

Brouczech

Produzida na cervejaria Nova Paka, tem amargor afiado e boa base de malte. Trazida pela Importbeer

Lucan

Produzida na cidade de Zatec, lar do lúpulo homônimo, mais conhecido como Saaz. Pilsen com 5,4% de teor alcoólico e bom amargor, mas mais puxada para o malte. Trazida pela Importbeer

Por OESP/Paladar

A volta dos brewpubs a São Paulo

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Já tradicionais em países como Alemanha e Estados Unidos, os brewpubs, ou locais que produzem e servem sua própria cerveja acompanhada de petiscos ou refeições, ganharão dois novos representantes em São Paulo.

Até o fim do mês, começa a funcionar em Pinheiros a Cervejaria Nacional. Nascida em 2006 como pequena produtora de chopes para bares e restaurantes (Drake’s, Santa Madalena e I Vitelloni), ela agora terá local próprio, cinco estilos de fermentadas e cardápio harmonizado com cada variedade.

A cervejaria foi instalada em um prédio de três andares. Da entrada, já é possível ver panelas de cozimento e tanques de fermentação – podem ser produzidos até 9 mil litros ao mês. Em princípio, serão cinco receitas, idealizadas por Luís Fabiani, um dos sócios e fundador da Nacional com Dudu Toledo: a Domina, uma weissbier; a Y-îara, uma pilsen; a Kurupira, uma brown ale; a Mula, uma india pale ale com potentes 7,5% de teor alcoólico e 60 unidades de amargor (uma “loura” industrial tem, em média, dez) e a stout Sa’si. As receitas são destaque no bar do segundo andar, tiradas de uma “trave” com sete torneiras – haverá espaço para surpresas sazonais.

Um piso acima, no restaurante, será possível harmonizar as cervejas da Nacional com pratos feitos na grelha, a cargo do chef Alexandre Cymes e de seu sócio, Marcus Ribas, como as coxinhas de pato, cujas combinações sugeridas são a Mula ou a Sa’si. Ou o braseado de cordeiro na Kurupira ale, cozido que vai bem com a cerveja usada em sua produção. Há ainda itens de “livre associação”, como os bolinhos de mandioca com linguiça. O preço dos chopes vai de R$ 6 a R$ 12, dependendo do estilo e do tamanho.

Invasão de corsários. Até junho, a Casa da Li, na Vila Madalena, terá novo morador. A divisão de espaços deve ser feita, apropriadamente, pelo hasteamento de bandeiras. De dia, tremulará a da casa de Eliane André. À noite, ela dará lugar à Cervejaria Corsário.

Um dos sócios, o médico Marcelo Cury, diz que o empreendimento funcionará em parceria com a Casa da Li, que fará pratos para serem harmonizados com as cervejas produzidas no local. “Teremos seis torneiras de chope, duas para marcas convidadas. E a ideia é apostar em estilos diferentes e pouco difundidos no Brasil”, explica.

A lista de crias próprias inclui uma saison, uma imperial stout maturada em barril de cachaça e uma receita de inspiração egípcia baseada na norte-americana Midas Touch, da Dogfish Head, mas fermentada com leveduras de saquê.

ONDE FICA

Cervejaria Nacional
R. Pedroso de Morais, 604, 3034-4863

Cervejaria Corsário
R. Aspicuelta, 23, 3871-1002

Por OESP/Paladar