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Especial Portugal

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Quando escolhi Portugal para passar férias, qualquer pessoa que vinha me dar sugestões e indicações começava com: “Nossa, você vai comer muito bem, Portugal é um dos melhores lugares do mundo para comer”. E foi exatamente por isso que decidi ir para lá.

Queria um lugar que pudesse escolher qualquer endereço, entrar e saber que comeria bem. Nada de restaurantes estrelados. Sim, Portugal também tem os seus, mas não queria nada nesses endereços. Queria conhecer as tasquinhas, parar de bar em bar nas ruas da Alfama, em Lisboa, provar cada doce e taça de vinho. Para quem perguntasse, dizia: “Vou para lá comer presunto, queijo da Serra da Estrela e sardinha”.

E foi o que eu fiz. Saí de São Paulo cheia de indicações de restaurantes, mas visitei poucos deles. Fui aos clássicos Farta Brutos em Lisboa e Fialho em Évora. Comi frutos do mar na Cervejaria Ramiro e no Porto de Santa Maria. Consegui reserva numa das cinco mesinhas da Tasquinha do Oliveira. Todos maravilhosos. Sendo esse último o melhor que comi em Portugal e um dos melhores em que já estive. Mas, fora isso, adotei a linha “deixe a vida me levar”. Sem arrependimentos.

Cheguei em Lisboa e fui correndo comer pastéis de Belém, na Fábrica de Pastéis de Belém, que existe desde 1837. E repeti o ritual todos os dias em que fiquei na cidade. Estava hospedada do lado. Resistir aos pastéis de nata saindo sempre quentinhos foi realmente tarefa impossível. Foram só 5 dias em Lisboa e aproveitei cada um deles muito bem!

Aliás, nos 15 dias em que fiquei no país:

… provei sempre todas as azeitonas que pude. Elas são servidas no couvert de quase todos os restaurantes e são sempre irresistíveis. Essas acima, foram consumidas num dos restaurantes das ladeiras da Alfama, junto com uma cerveja gelada, logo no dia da chegada.

Muitos presuntos pata negra e embutidos em geral. Eles estão em todos os cardápios assim como os…

… “enchidos”: linguiças apimentadas, alheiras (feitas com carne de coelho, caça, porco e pão) e morcillas (embutidos feitos de sangue coagulado).

Esse aí é o famoso queijo amanteigado da Serra da Estrela. Nos restaurantes, é servido na sobremesa junto com alguma geléia ou um doce de abóbora. É bastante calórico, mas divino. No Brasil, chega a custar R$ 200 o quilo. Em Portugal, custa em torno de 20 euros o quilo.

Outra mania na cidade são as confeitarias e padarias. Os doces chamados de “conventuais”, porque foram inventados pelas freiras, ainda estão presentes em cada esquina das cidades portuguesas. São todos feitos com a base de ovos e açúcar. Muitos levam também amêndoas. Essa rua das Padarias fica em Sintra, que tem um doce típico:

O travesseiro. É uma massa folhada levíssima recheada de um creme de ovos e gila (uma abóbora não muito doce). Foi acompanhado de uma taça de vinho doce da Ilha da Madeira.

E aí tem o capítulo peixes e frutos do mar de Portugal. Logo na minha primeira noite, fui na Cervejaria Ramiro. É um misto de boteco e restaurante super tradicional, sempre com fila na porta. Você pede sua comida por quilo, devido ao tamanhinho dos camarões, lagostas e sapateiras.

Meu primeiro prato foi também um dos mais tradicionais no país: as amêijoas à Bulhões Pato com vinho branco, azeite, alho e coentro (tudo tem sempre bastante coentro em Portugal). Gostei tanto que repeti o prato em quase todos os lugares em que estive depois.

Essa é a sapateira, um caranguejo gigante de carne bastante adocicada, um dos frutos do mar raros de encontrar e que ainda existem em abundância em Portugal. Mas esse aqui eu só fiz a foto e deixei pra experimentá-lo em outro restaurante, o Porto de Santa Maria que vou falar em um dos próximos posts.

Em vez disso, pedi um camarão Tigre Gigante, de carne quase amarga, preparado ao ponto, macio e tostado ao mesmo tempo. Tem que pegar o garfo e realmente ir arrancando a carne da casca, como se faz com as lagostas.

A praça do Comércio, onde era feito todo o comércio de especiarias e escravos na época do descobrimento

Comprei na loja de um dos conventos de Portugal o livro “A Arte da Cozinha”, o primeiro de receitas publicado no país, em 1693. O mais legal é que os pratos são exatamente os mesmos ainda servidos nos restaurantes. Séculos de receitas muito parecidas de peixes e frutos do mar, assados, empadas, os mesmos doces e até lampréia, a cobra do mar que não tive coragem de experimentar. Tudo rústico, caseiro e regado a muito azeite. Os temperos são azeite, alho, sal, pouca pimenta e coentro.
Nos próximos dias, vou publicar aqui as indicações de cada restaurante. Por enquanto, ficam duas dicas:

Cervejaria Ramiro: av. Almirante Reis, nº1 – H, Lisboa
Fábrica de Pastéis de Belém: rua de Belém, números de 84 a 92, Lisboa.

Por Alessandra Blanco/blog comidinhas

Cozinha Internacional – Espanha, frutos do mar no Rafa’s

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No dia seguinte ao jantar no El Bulli, fui almoçar em Roses no segundo restaurante mais conhecido da cidade, o Rafa´s, “o lugar em que Ferran Adrià gosta de comer”, porque há 25 anos serve os peixes e frutos do mar mais frescos da região.

A indicação que recebemos foi: “Deixe o Rafa cuidar de vocês e coma o que ele sugerir”. Às 15h, sentamos, escolhemos um vinho branco e começamos.

Começamos com amêijoas ao molho de vinho branco, bastante suave, sem nenhuma acidez. Rafa, o chef e dono do restaurante, nos contou ao final que prepara o molho da seguinte maneira: leva ao fogo uma panela com azeite, corta fatias de alho e deixa dourar bem rapidamente, acrescenta vinho branco seco e depois miolo de pão e deixa cozinhar. É o miolo de pão que tira a acidez. Depois coa esse molho e cozinha as amêijoas nele. Não acrescenta sal: “Como recebo produtos frescos aqui do nosso mar todos os dias, eles já vêm salgados e não dá tempo de perder o sal. Então, não precisa colocar mais”.

Depois pedimos lagostim grelhado. Exatamente ao ponto, pouco cozido, úmido, até adocicado. Mais uma dica: Rafa conta que quando vai preparar camarões ou lagostim na grelha normalmente faz uma cama de sal grosso sobre a grelha e coloca os camarões ou lagostim sobre ela. “O sal grosso fica ainda mais quente que a grelha e transmite esse calor, mas também segura a umidade, não deixa o camarão soltar a água, por exemplo. Por isso, fica mais macio”.

Como prato principal, escolhemos um filé de Saint Peter, sugerido pela casa como o mais fresco. Ele é feito só na grelha, com mínimo de azeite e sal. E é úmido, tenro, os pedaços se soltam sem qualquer esforço. Perguntamos como ele consegue dar esse ponto. “Ah, isso você tem que ficar de olho na fumaça que o peixe solta. Primeiro, ela se solta para as laterais. Quando começa a subir do centro do peixe, está na hora de virá-lo. Aí mais uns minutos e estará pronto”, conta.

E Rafa ainda diz que seu restaurante é muito simples. Ahã… “É a qualidade do produto que trabalhamos e a técnica que aprendi fazendo isso há tantos anos.” Ah, e ele só limpa a grelha com vinagre, nada de água e sabão, para não pegar gostos que não precisamos.

Para encerrar, uma sobremesa também feita na casa, uma torta cabelo de anjo. O cabelo de anjo no caso é aquele tipo de abóbora que forma fios como um espaguete. O resultado é uma torta bem pouco doce, mas divina.

Todo esse almoço para duas pessoas com vinho saiu por 89 euros.

Rafa´s: Carrer Sant Sebastià, 56, Roses, Espanha.

Por Alessandra Blanco/Blog Comidinhas