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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O terceiro dia…

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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O terceiro dia…

Caminhar de madrugada…

Mudamos a estratégia adotada no dia anterior, sairíamos antes da luz do dia, a tendência da temperatura indicava que permaneceria alta, a ordem era “abandonar” o ponto de pernoite mais cedo para não sofrer com o desgaste do sol no meio do céu.

Cinco horas da matina, o vilarejo todo ainda no escuro e lá fomos nós, estávamos marchando em direção ao município de Garruchos, deveríamos percorrer 25 km.

Nossa marcha neste dia só terminaria próximo das duas da tarde, com parte do trajeto sendo realizado de barco pelo rio Uruguai. A esta altura era só o começo de um dia cheio de emoções e de situações limites. O sol no descampado castiga, aquele seria um dos dias mais quentes que enfrentaríamos em toda nossa viagem.

Não sei se é prudente andar pelas ruas de São Paulo a essa hora da madrugada, por exemplo. Fato é que neste horário, mais fresco para caminhar, era o mais indicado. Logo estaríamos no campo novamente, é aquela paisagem contínua, alternando um pouco de soja outra de pasto. Não há o que fazer, você caminha, respira, observa e pensa na vida. Você anda, anda e a paisagem é a mesma.

Na cidade, você sabe que está cada vez mais longe ou perto de alguma coisa, em função da presença dos quarteirões. Aos poucos a luz do dia começa a surgir no firmamento, o céu escuro vai ficando azul claro, iluminando melhor o caminho. Uma lebre salta na nossa frente e atravessa a estrada apressada em direção ao mato e some bem diante dos nossos olhares. Talvez surpresa com a nossa presença, talvez atrasada para um compromisso.

Da minha parte não havia pressa alguma, deliciei-me com aquela cena. Mais a frente, faríamos nossa primeira parada para o descanso. Um descanso de 15 minutos, você engole a água, mantém-se de pé com a mochila nas costas, de forma que o corpo não esfrie novamente. O lugar que escolhemos foi este!

Um tapete amarelo sobre a terra vermelha da estrada, no sentido oposto, o sol despontando no horizonte forte e vibrante, uma quase pintura, talvez essa seja a expressão mais adequada para representar a imagem. Talvez se a cena tivesse num contexto mais urbano, sobre o asfalto, por exemplo, não chamaria tanto atenção, não sei se seria tão vibrante também. Mas ali, neste contexto, quase não resisti e em vez de seguir adiante, tomaria a direção à esquerda do caminho. Não sei dizer qual seria o destino, mas o tapete estendido era o convite para fuga.

A foto contradiz um pouco a descrição de paisagem monótona que faço mais acima. Mas é bem isso, tem momentos que ela te surpreende. Ao longo dos dias, a paisagem monótona do caminho, vez ou outra era quebrada com momentos como estes. Um contraste de tons vermelhos, alaranjados e de amarelo intenso, deixando a paisagem verde sem tonalidade e o céu azul sem personalidade. O astro Rei quando surge no portão do leste, surge de forma extraordinária, entra no salão principal e ofusca toda e qualquer outra paisagem. Pensando bem, há uma reverência, tudo se apaga para que ele brilhe. Instantes depois, tudo volta ao normal. Essa é a melhor maneira de descobrir que estamos vivos.

A verdade é que na cidade, não nos damos conta dessas coisas, não perdemos tempo apreciando a natureza. Tempo era tudo o que tínhamos, o caminho levaria a um único lugar, ao destino, ao ponto de chegada. Ainda assim, somos apressados, às vezes temos que conter esse ímpeto, este jeito cosmopolita de querer andar rápido, mesmo estando no mato. Um jeito esdrúxulo confesso, porque quando se chega ao lugar combinado, mais cedo ou mais tarde, resta apenas o descanso. Não faz muito sentido ter pressa. Mas a verdade, é que este era o terceiro dos treze dias. O caminho ensina, ter pressa não ajuda, castiga.

Ao longo desta manhã, tivemos uma companhia nada agradável, apesar de bela.

Um avião subia e descia, sobrevoava nossas cabeças, pulverizando a plantação. De certa forma, ele quebrava o silêncio, fazia barulho, mas… Perdi as contas de quantas vezes cruzou de um lado ao outro da estrada, mas lembro bem a quantidade de horas, foram muitas, quase meio dia. Sempre gostei de ver os grandes jatos passando no céu. Moro próximo ao aeroporto e curto ver decolagens, mas estava odiando aquele treco voando. Engraçado, em contextos diferentes, aquilo que te atrai, pode causar “espécie”. Confesso que em alguns momentos, desejei ver aquele tucano caindo sobre o milharal.

Só pensei! Seguíamos e o avião subia e descia.

O caminho não parecia ter fim, nosso objetivo naquele momento era alcançar o Uruguai, ali pegaríamos uma canoa rio acima, 15 km distantes de onde partimos. O caminho até o rio Uruguai é que são elas, contornamos uma imensa propriedade, na verdade latifúndio, foram quase 15 km de estrada olhando para todos os lados, pertencente a um único homem.

Aproveitamos a mudança de estrada, a presença da sede, para pedir água fresca e encher o cantil, mais uma pausa para o descanso e seguimos novamente pela estrada. No caminho uma alteração no terreno importante, as pedras, daqui pra frente, seria quase que uma constante. O que sobrava de pedras faltava em árvores. Por volta das nove da manhã, já estava evidente que o sol iria nos castigar mais do que nos dias anteriores. Não há o que fazer! Mas tínhamos um ânimo, uma expectativa, o trajeto feito pelo rio.

Depois de uma longa e penosa subida, avistamos a continuação da estrada, um caminho todo margeado por pinheiros, um alento. Você vive aquela sensação boa e refrescante, como se tivesse experimentando um picolé depois daquele calorão. Mas o mapa, e a seta indicando o caminho, dizia dobre a esquerda. Detestei ter lido e odiei o cara que escreveu aquela indicação. Mais a frente, outra miragem, um açude e o rebanho se refrescando nele, como se fosse uma praia. Fiquei com inveja, comecei a gritar! Ê boi, ê boi… Mais a frente um Oasis surgiu. A estrada cortava ao meio um corredor ecológico. Um lugar refrescante, gelado, natural.

Larguei a mochila, sentei no chão no meio do caminho e abri a garrafa de água. Sabe aquela sensação de delírio, pra mim aquele lugar era mágico. Faltou apenas um refrigerante gelado, uma morena bonita pra olhar e depois comentar com os amigos. Viu? Bonita né, então. Mas a realidade era bem outra. Havia vaca, muito pasto, poeira; não tinha mar, não era a ilha e pouca água novamente. Pelos cálculos, não estávamos muito longe, mais uma subida, outra descida e logo estaríamos no rio.

Finalmente, chegamos à margem do rio, lá encontramos os irmãos Jaime e Jair e de lá partimos para a outra ponta. Lá em São Borja, cruzamos o rio pela ponte, tinha-se uma noção da sua largura, mas navegando, você percebe a grandeza dele. Por conta da estiagem, o rio estava muito baixo, mas a julgar pela altura da casa do barqueiro em relação ao solo e ao barranco, quando o dando do rio sobe, deve tomar conta de todo aquele terreno.

Seguimos pelo rio até um pesqueiro, de lá seguimos pela estrada de terra em direção a propriedade dos Isbrich, Günther e Fernanda e a filhinha do casal, fã da Paula Fernandez. Ela tocou e cantou as composições da moça pra nós.

Mas voltando, ainda tinha chão antes de ouvir a voz da cantora mirim, tinha uma colina, muitas pedras e o sol dos infernos. Quase desistindo de enfrentar a dureza da subida, avistei um trator, cabine climatizada e tudo mais. Fiquei parado na estrada impedindo sua passagem, pedi carona, subi e seguimos. Meus pés doíam, aquela máquina é absurdamente desconfortável, fiquei pensando como é duro encarar aquilo o dia todo. Um quilômetro depois, entramos numa sede, desço e fico na estrada esperando meus amigos.

Só que confortavelmente sentado no chão encostado num eucalipto enorme que fazia sombra e exalava aquele aroma maravilhoso. Um pequeno, quase invisível pica-pau, furava o tronco. Verdadeira melodia. Descansamos e partimos para a etapa final. Só 2,5 km, os mais duros do dia. Uma subida, lá no alto estava o castelo. Uma estradinha danada, cheia de curvas e subida constante. Olhei, pensei um instante e avancei feito doido. Chegando lá, joguei a mochila, recostei sobre a carroceria do carro e morri.

Pedro chega também, estava exausto, enquanto isso ia me recuperando. Pedro volta uns metros para enxergar Renato, vindo lento pela subida. Mais uns minutos, estávamos todos mortos. No final daquele trajeto, cansaço, fome, calor e sede se misturavam. Sorríamos de felicidade, como quem consegue um feito. Na casa do Günther e da Fernanda, um banquete nos esperava. Estávamos vivos novamente e no céu. A piscina olhava a gente quase que provocando, advinha. Só que os meus pés estavam em situação mais delicada.

A bota, um produto especialmente desenvolvido para aventura, não resistiu.

Detalhe, menos de um mês de uso. Estou na batalha contra o fabricante, que deseja fazer uma análise técnica do produto para tomar uma providência. Sabe quando vou comprar outra desta marca, nunca. Nem recomendo que se use!!!

Se você quiser saber mais sobre o caminho acesse: http://caminhodasmissoes.com.br/

Por Marcelo Ferraro/ editor floripacool.com

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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O primeiro dia…

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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O primeiro dia…

O dia estava começando e a expectativa estava lá no alto.

Na noite anterior, fomos ao cais do porto, o point da cidade de São Borja bem as margens do rio Uruguai. Um momento de relaxamento antes da jornada, poder olhar a paisagem com folga, sua gente e tomar aquela cerveja gelada no final de tarde. Afinal, ninguém é totalmente de ferro que possa resistir a uma combinação dessas: calor extremo e um bar à beira-rio. Ainda mais sabendo que no dia seguinte estaríamos em marcha em direção ao nosso objetivo.

Foi bom ver a noite cair sobre nossas cabeças naquele dia. E assim seria pelos próximos dias.

Segunda, dia dezenove de dezembro – levantamos cedo, tomamos o café e decidimos atravessar a ponte internacional até a cidade Argentina de Santo Tomé, uma vez que nossa partida estava prevista para as 16 horas. Havia tempo suficiente para uma visita à cidade vizinha. Chegamos ao posto policial do lado Argentino, documentos em mãos, e uma descoberta inacreditável, meus parceiros de viagem não andam com o documento de identidade a tira colo. O pessoal do lado de lá é categórico: RG é documento aceito, Passaporte também. Mas habilitação profissional e de motorista não são aceitos. Resumindo, demos meia volta e retornamos.

Um indicativo importante de como seriam os nossos próximos 12 dias.

Decidimos nos contentar com a ensolarada São Borja, localizada entre as regiões do pampa e das Missões. São Borja também é o primeiro dos “sete povos” das Missões.

Terra de Getúlio Vargas e João Goulart, uma cidade fronteiriça, pequena e agrícola que logrou dois presidentes ao país em momentos diferentes da nossa história e não menos conturbado. Não bastasse, dali saíram outras tantas histórias e nomes do nosso passado. Dali, um tenente, organiza uma marcha contra o poder estabelecido e entra para história mundial como a Coluna Prestes, marca a inserção do Partido Comunista no Brasil e a sua vinculação com a Ex-URSS e outras tantas tentativas frustradas de se fazer a revolução socialista à brasileira.

São Borja, apesar de um lugar com “atrativos” de cidade “turística”, os pontos de visitação ficam fechados às segundas-feiras. Fomos visitar alguns destes espaços, mas em vão. Conseguimos entrar num centro de tradição, Casa dos Angueras, um lugar interessante que com seu acervo dos anos 20, remonta o século passado, um pouco do estilo de vida de uma região e conta sua história.

Fazia um calor tremendo, estávamos quase no horário de partir, passava das 16hs. Um ainda estava dormindo, outro curtindo os últimos refrescos da piscina, enquanto este que vos fala arrumava detalhes na mochila. Confesso aqui, pesada demais.

Tudo pronto!!! Posamos para as fotos de despedidas e partimos.

Deste ponto em diante, o sítio Preserva, ficaria em nossas lembranças.

Alguns passos e mais a frente, não veríamos mais o asfalto e começaria ali a nossa aventura de 13 dias de caminhada pela região das Missões. A foto acima mostra um caminho protegido pela mata e a foto abaixo, contrasta a realidade da região, sem árvores. A terra rachada pela falta de chuvas massacra o pasto, a lavoura e o rebanho e sacrifica o homem.

Durante quatro longos dias, o termômetro marcaria acima dos 41 graus.

Estávamos indo em direção ao primeiro pernoite da nossa viagem, caminhávamos rumo ao vilarejo conhecido como Passo da Barca, 17 km do local de partida. Passava das 17 horas e o sol começa a se por lá pelas 21 horas. O primeiro dia é sempre o mais tenso, há um desgaste do corpo, cansa mais porque você está frio, pede mais água e tudo parece irreal. Só ali comecei a pensar nas coisas que poderia enfrentar pelo caminho. A ficha foi caindo devagar. Voltar seria uma estupidez, mas seria razoável também. Muitas vezes recuamos na vida, outras vezes avançamos de forma impertinente, mas sempre há uma escolha. Não existe necessariamente uma regra, o teu limite vai dizer se pode ou não continuar.

Só pela imagem acima, você consegue perceber os mais de 300 km que havia pela frente, mas nem sempre o terreno seria tão fácil de vencer. Seguíamos em fila, em duplas, às vezes os três. Mas cada um tem seu momento, têm horas que há o que falar, outras só mesmo o silêncio. A dupla da foto acima possuía mais experiência, só que seis dias depois e 190 km percorridos, o desgaste é o mesmo para todos. Independente do ponto em que você se encontra, se olhar para qualquer dos lados, perceberá que a linha do horizonte está lá, e mais nada. Você segue. Neste ponto, ainda havia árvores pelo caminho.

Fora tudo mais, cada veículo que cruza a estrada de terra, deixava a paisagem com essa aparência pálida.

Você, sua roupa, sua alma, ficam impregnados de pó. Ainda assim, há tempo pra brincadeira, afinal, seria a única diversão que teríamos ao longo da caminhada. Pensando bem, um excelente momento pra brincar, pra ser criança novamente. Quem sabe espantar um fantasma. O verde da plantação indicava uma constância no caminho. Tudo era soja. Pouco antes de pararmos para beber água e fazer umas fotos, caminhava em dupla batendo um papo, quando uma cobra cruzou nossa frente menos de 1 metro de distância. Seria apenas a primeira de muitas que cruzaríamos pelo caminho em 13 dias.

Para um primeiro dia, era emoção demais. Chegamos ao vilarejo, um galpão de uma comunidade cristã, lá tomamos um banho, fizemos a refeição e desmaiamos. Menos eu, fui atacado por pernilongos, muriçocas e o diabo a quatro. No dia seguinte, tinha bolotas pelo corpo todo, uma reação alérgica.

Mas nada comparado ao segundo dia, onde o sol aumentou, o cansaço bateu e a água acabou antes mesmo do trajeto ser concluído. Sem água, você não é nada.

Se você quiser saber mais sobre o caminho acesse: http://caminhodasmissoes.com.br/

Por Marcelo Ferraro/ editor floripacool.com

Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O dia anterior…

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Caminho das Missões – uma história em 13 dias. O dia anterior…

São Borja, 18 de dezembro do ano de 2011 – passava do meio dia, soprava um vento abafado, um indicativo do que enfrentaríamos nos próximos dias, numa região que anda sofrendo com a falta de chuva.

Estava de volta ao lugar, quase 20 anos depois da primeira visita. Naquela época, a região das Missões, ficava no sentido oposto daquele que deveria seguir.

Mas na tarde deste domingo azul de dezembro, estava pronto para caminhar pelos próximos 13 dias seguintes, num terreno nem sempre plano e com algumas dificuldades, temperatura “saariana” e muitas, muitas pedras no caminho. A foto acima mostra o último pedaço de chão calçado que viríamos antes de completar nossa jornada de mais de 300 km.

Da rodoviária, fui ao ponto de encontro, onde encontraria meu parceiro de viagem, Renato Lima (caminhante de profissão), que só aportaria pela cidade na décima oitava hora do dia. Da minha parte, em relação à aventura de 13 dias, nenhuma expectativa extra. Pensando bem, era uma loucura total, maas…

Mas era também um desafio interessante! Estaria livre do incomodo da correria da última semana do ano, sempre agitada e desgastante. Evitaria ruas abarrotadas, praias lotadas, telejornal e catástrofes de fim de ano.

Optei por andar.

Enfim, cada macaco no seu galho.
E como tinha macaco por lá, como o primo distante da foto acima. No ponto de encontro, num sítio bem na saída da cidade, bem próximo também da ponte internacional, que liga o Brasil à cidade de Santo Tomé na Argentina, fica o ponto zero do asfalto. Dali em diante, comemos poeira todos os dias. O sítio Preserva, é um lugar aprazível, aconchegante, com muitas árvores, histórias, animais silvestres, domesticados e outros selvagens como o jacaré. O sítio fica há poucos quilômetros do rio Uruguai. Um gigante, que tive o prazer de navegar e sentir o frescor de suas águas e deliciar-me com um saboroso banquete de Surubin (peixe delicioso, com muita carne).

No Preserva, conhecemos Javier (exímio Hermano) e Tatiana (bailarina e nossa patrícia) e a filinha do casal (uma legítima binacional). Ali, conhecemos nosso outro parceiro de caminhada, o experiente Pedro (para nós, Pedro Missioneiro), que vez ou outra cai na estrada por hábito e diletantismo. Ali, descobrimos que seríamos três malucos na estrada. Um misto de aventura e loucura. E assim foi! O Sítio da Tatiana e do Javier é uma experiência bem interessante de propriedade rural destinada ao turismo e a produção de bens e serviços in-natura regional. Lá eles produzem um pouco de tudo. E tudo muito bem feito, feito com carinho. Mais que recomendo!

Sítio Preserva: www.sitiopreserva.com.br

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Na propriedade, eles têm de tudo um pouco e aquilo que não produzem, trocam com outros produtores nas mesmas condições, incentivando a circulação de bens e serviços entre a comunidade e aumentando as chances dos produtos tornarem-se mais conhecidos dos diferentes públicos que circulam pela região e pela propriedade.

Diga-se de passagem, uma região de fronteira.

Experimentamos um pouco de cada coisa. Pra falar bem a verdade, nestes 13 dias, fizemos uma coisa muito interessante, além de andar muito, comemos muito bem também. Mas falaremos mais sobre comer bem, nos demais posts. O resultado incrível dessa jornada foi conhecer gente nova pelo caminho, suas diferentes histórias e sentir-se também num outro tempo, menos apressado, exigente e consumista. Construímos relações saudáveis, bem diferente daquela pressão e do nervosismo que a grande cidade imprime nas pessoas. Nestes dias pudemos ouvir e se ouvidos na plenitude. Por mais comprido que eram os dias, por mais solitário que fosse o caminho, não falamos de futebol, de violência, de compras, do ronco do motor, ou seja, das bobagens que se é obrigado a ouvir quando se está entre amigos.

Ficamos alheios aos acontecimentos do mundo, sem saber quantas pessoas morreram nas estradas, sem saber se o shopping center lotou ou não para o natal, sem saber se choveu ou se fez sol. A única coisa que sabíamos, era que todos os dias, antes mesmo do sol nascer e da noite se por, estávamos de pé, fazendo os últimos ajustes nas mochilas para colocar os pés cansados na estrada novamente.

De hoje em diante, você acompanhará os relatos dia a dia, dessa experiência na região dos Sete Povos das Missões. Vou tentar contar um pouco da história, da culinária e do caminho. Falar sobre essa terra “americana”, que foi espanhola antes de ser portuguesa, mas acima de tudo brasileira. Uma terra onde a gente Guarani, criou uma sociedade muito além da nossa compreensão, mas destruída e consumida pela ganância e inveja. Diria até cruelmente massacrada.

Na foto, primeiro Pedro Veras, no centro Eu (marcelo Ferraro), depois Renato Lima.

Portugal fez grandes feitos na história, como bem disse Fernando Pessoa, “o mar sem fim é português”, mas sempre com um ônus muito grande. A toda gente que encontrou pelo caminho, quase sempre destruiu, o que o tornou pequeno demais o seu feito, ao menos do meu ponto de vista. Talvez fosse o caso de dizer que a experiência das Missões no Brasil, foi uma experiência espanhola, e que o Brasil, seja ele colonial ou não, fez questão de não mencionar este pequeno detalhe. E ao ver o que sobrou das reduções missioneiras, tenho quase que certeza que faz muito pouca questão de preservar essa memória viva ainda hoje.

Confesso não ter certeza, se é bom ou ruim.

O fato é que tudo aquilo é imponente demais. Magnífico demais. Para não ser cuidado!

Se você quiser saber mais sobre o caminho acesse: http://caminhodasmissoes.com.br/

Por Marcelo Ferraro/ editor do floripacool.com
http://about.me/FERRARO

Sítio Preserva: BR 285, km 677, São Borja, Brasil
Faixa de preços
R$ 30,00 a 50,00
E-mail: reservas@sitiopreserva.com.br
Telefone (55) 34312653