Sétima arte: namorados para sempre

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Amor e ódio, início e fim. Entre os extremos se encaixam os por quês. Torna-se difícil aceitar a negação do direito de amar quando o sentimento ainda floresce. A história que dispõe-se a travestir-se de um excelente drama acaba por revelar um romance encantador. Sua preciosidade é presente devido à vasta quantidade de virtudes e grandes acertos na sua montagem, fatores não-corriqueiros que elevam-no à condição de filme para cinéfilo, passando longe de ser um programinha-pipoca-para-pombinhos-apaixonados.

[Início do parágrafo obrigatório explicativo] A situação é demasiado explícita, mas cabe explicar. Namorados Para Sempre é um grande “pega-ratão”. Com um título mais doce que açúcar, um slogan mais pegajoso que chiclete e lançado no dia dos namorados, pequenas não devem ter sido as frustrações de muitos casais ao ver o filme. Porém, é um engano certeiro, se é que se pode afirmar. [Fim do parágrafo obrigatório explicativo]

Concentrado em abordar com honestidade a realidade da maioria dos romances, sua trama sustenta-se na transposição do início de uma relação até seu término. A narrativa não linear, que alterna entre passado e presente, engrandece e alterna os sentimentos de dor e paz. Seu passado, obviamente, consiste em apresentar a origem da relação, revelando-se cativante e envolvente na história de amor entre Dean (Ryan Gosllng), o mesmo que fez outro grandioso romance, Diário de Uma Paixão (The Notebook, 2003) e Cindy (Michelle Williams). Aliás, grande virtude se dá à sua narrativa ser apresentada de forma a misturar os momentos dessa história, criando um sentimento de dúvidas frequentes com respostas imediatas, além de uma posição comparativa entre os dois momentos.

A escolha e intenção do roteirista e diretor Derek Gianfrance é narrar a queda de um romance devido à seus atos. Ao fim, não se engana quem entende que, de fato, os fins podem justificar os meios. Nos minutos introdutórios, a feição alegre de Dean brincando com aquela que futuramente seria apresentada como sua fillha não-biológica e o desgosto demasiado inserido nos olhos de Cindy, revelam o resultado e os interesses finais dessa história. Cindy, contudo, só apresenta seu primeiro sorriso à Bobby (Mike Vogel), que seria um dos pontos de desentendimento da relação.

O longa sobressai-se aos demais filmes do gênero devido à uma característica simples: retratar um romance com uma carga de sentimentos coerente, pautada numa história com nexo e capaz de não revelar antecipadamente o seu desfecho. Muito bem construída, a história demonstra-se simples, retratando e fidelizando-se à realidade de um casal comum, com seus altos e baixos, tristezas, decepções e emoções, mas compreendendo na importância de cada cena, a necessidade de transcender as telas e emocionar o espectador. Nesse sentido, Namorados Para Sempre busca retratar o dia-a-dia do casal com uma narrativa que alterna entre passado e presente. Nestes dois momentos, apresenta-se as razões pela qual o romance se desbota, confunde-se e se perde no tempo, incapaz de manter a paixão e o interesse do início do relacionamento. Dentre outros exemplos, cabe ao cotidiano a tarefa de revelar-se o maior problema do jovem casal.

Paixão, felicidade, planos, amor, destino, acomodação, incerteza, incompreensão, desmotivação, negação, passado e realidade. A relação constitui-se em sentimentos e emoções, e demarcam a linha evolutiva ou não da história que transpõe uma alternância excessiva de razões que justificam o seu destino.

Para Dean e Cindy, cabe retratar a penalização de um sentimento de culpa. Sem maiores vilões, seus semelhantes anseios enfraquecem-se na força generalizada da desesperança que os consumiu. As forças cessam e nem mesmo o “quarto do futuro” emerge algum sentimento adormecido. É a constatação do dia-a-dia que os demonstra a nova realidade, e descobrem-se incapazes de atingir maior felicidade.

Por fim, sua qualificação romântica não coincide com uma oportunidade de acompanhar um filme “água com açúcar”, do tipo que muito serve para amaciar o coração dos mais brutos. Compreende-se, no entanto, como sendo um longa pesado, com altíssimo nível de carga emocional, mas, ainda, com um interesse tão verdadeiro quanto cruel de narrar e quebrar o estereótipo de uma boa quantidade de longas que qualificam-se românticos.

Blue Valentine (EUA, 2010)

Diretor: Derek Cianfrance

Duração: 112 minutos

Definindo-o em uma palavra: Dramático

Nota: 9

Por Nerdsomosnozes

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