Trânsito um fenômeno global, não necessariamente um problema exclusivamente local.

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O aumento do trânsito nas ruas das médias e grandes cidades brasileiras deve-se muito ao aumento exponencial da frota de automóveis nos últimos anos. Pequenas e médias cidades são as que mais crescem neste novo século no país.

Entretanto, a autoridade governamental, quase sempre ignora os números e as políticas públicas, que entre outras coisas, visam antecipar acontecimentos futuros na tentativa de diminuir ou minimizar seus impactos sobre a realidade. Quase sempre ficamos a reboque destes acontecimentos, porque o poder público perdeu a sua capacidade de planejar e executar no longo prazo e a sociedade civil se comporta de maneira equivocada na hora de pedir e propor soluções para os problemas.

As cidades brasileiras cresceram tanto do ponto de vista do seu contingente humano quanto da sua frota.

O problema é que ruas e avenidas nem sempre conseguem dar conta deste crescimento na mesma velocidade.
A estabilidade da economia das últimas décadas e o aumento no poder de compra do brasileiro, também contribuíram para o agravamento desse quadro crítico que é o trânsito em nossas cidades. A discussão “simplista” procura buscar culpados e não alternativas como propomos.

Muita gente comprou automóvel nos últimos anos, outros tiveram a oportunidade de comprar mais de um carro para sua casa. Tem algum culpado nisso? Não! O problema é que com tantos carros nas ruas: aumentaram às filas, cresce a lentidão nos trechos de maior movimento e aumenta o tempo de deslocamento entre o destino e a origem da viagem. Tudo isso demonstra que a estratégia da indústria automobilística, subverte a ordem natural das coisas, ou seja, a “cultura do automóvel” privilegia a individualidade em detrimento da coletividade e da mobilidade urbana.

Assim, o transporte coletivo perde espaço para o transporte individual.

Portanto, é impossível que governos municipais consigam responder aos acontecimentos, melhorando o fluxo nas ruas e avenidas no curto prazo, porque perderam essa capacidade de responder prontamente aos problemas. E as soluções para o trânsito não se resolvem construindo mais ruas e avenidas. Mas passa pela mudança de mentalidade da gestão pública e demanda novos investimentos em alternativas de transportes. É isso que pretendemos com este texto.

Acompanho a discussão em São Paulo e na cidade de Florianópolis.
Entendo as dificuldades que as cidades terão em lidar com este problema do aumento da frota nos próximos anos. Mas qualquer pessoa com bom senso sabe que as ruas e o centro da cidade, não comportam tantos veículos circulando ao mesmo tempo. A pergunta que me faço sempre é, será que as pessoas precisam andar de carro o tempo todo?

Florianópolis, por exemplo, é convidativa para o deslocamento a pé, principalmente nas regiões mais próximas ao centro, nas regiões mais densas e na beira-mar, portanto, deveria incentivar mais o uso das bicicletas, construindo mais ciclovias; incentivar a carona solidária entre colegas de trabalho, de escola e vizinhos para diminuir o número de carros na mesma direção; por fim, estabelecer o uso do fluxo reverso em horários e regiões de maior movimento na cidade, estruturando uma empresa de engenharia de tráfego, para atuar no planejamento, na avaliação do tráfego e na implementação de estratégias de trânsito para que a cidade flua normalmente pelas ruas e avenidas.

O problema de São Paulo é seu gigantismo, o de Florianópolis, o seu crescimento.

Virou moda e “senso comum” falar que as cidades cresceram sem planejamento. Aliás, esse discurso é um discurso antiquado. Na realidade, as cidades brasileiras, nunca tiveram planejamento. O grande nó das nossas cidades, é que a maioria delas oferecem um único meio de deslocamento, o ônibus. O sistema de transporte coletivo em Florianópolis, está formatado e em pleno funcionamento, entretanto, não é convidativo para a maioria das pessoas, além de ser muito caro para.

A frota de coletivos não é nova, o número de linhas nos bairros deixa a desejar e o intervalo entre um ônibus e outro da mesma linha em determinadas regiões e horários é deficiente. Isso é de responsabilidade do poder público local. A solução para diminuir os gargalos dentro da cidade, passa pelos investimentos de obras viárias nas diferentes regiões, mas principalmente, na construção de alternativas de transporte e aperfeiçoamento do sistema. Essa é a proposta das políticas públicas.

Existe um problema, ele precisa ser pensado e alternativas devem ser apontadas no curto, médio e longo prazos para minimizar seu impacto. Essa é a nossa proposta: pensar, propor, ajudar a planejar e executar.
As pessoas também poderiam contribuir um pouco mais, se utilizassem seus automóveis em caso de emergência, em lazer de final de semana e em grandes deslocamentos dentro e fora da cidade. Não é só o poder público que tem responsabilidades. Você também é parte disso. Pare de reclamar.

Aliás, é assim que funciona em muitos países da Europa.
O que mais ouvimos dos “parnasianos” é que as coisas funcionam lá fora. Só que eles preferem deslocar uma tonelada pelas ruas, consumindo combustível fóssil, para se dirigirem a uma padaria mais próxima de sua casa e comprar 500 gramas de pão fresquinho. Logo, a “cultura do carro” faz isso, faz “parecer” que você que possui um automóvel, tenha um “status social” maior que aquela que não o possui.

Isso sim, é pensamento classe média.
O “Eu” é mais importante que o “Nós”, você reclama.

O Floripa Cool!! Destinos Descolados
Procura “pensar” a cidade, não só do ponto de vista do lazer, do entretenimento e do turismo que é a nossa vocação natural. Tanto que o impacto do trânsito na economia é negativo para cidade, logo uma cidade que flui melhor, que atrai mais pessoas para o lazer e para os negócios, ajuda no desenvolvimento e na implementação de soluções para os problemas de todos.

Nosso objetivo é ajudar a pensar e não simplesmente engrossar o coro das reclamações.
Esse é o grande problema da política brasileira, elegemos gente que não pensa, que reclama demais e não propõe nada de novo para velhos problemas brasileiros. Sinal de que a sociedade, usa roupas novas, mas continua com a mentalidade terceiro mundo de sempre.

Selecionamos uma mostra de fotografias, feitas nas ruas de Berlim, por um colaborador, para mostrar alternativas de transportes, que uma cidade moderna e turística poderia pensar e adotar para melhorar o deslocamento das pessoas que moram, trabalham e visitam a cidade todos os dias.

O ônibus é só um modelo, existem outros, é isso que queremos pensar com você. Que outros modelos poderiam ser adotados na cidade de Florianópolis para minimizar o trânsito? Que soluções poderiam ser adotadas no curto, médio e longo prazos para evitar gargalos no verão e no inverno?

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Por Marcelo Ferraro – Consultor de estudos de marketing e opinião/Oceano Azul Pesquisa Social.

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Uma resposta »

  1. Boa tarde Marcelo!

    Muito boa a tua matéria sobre transportes publicos e as idéias que podem ser úteis para o Brasil se forem implantadas nas grandes capitais, como Floripa e tantas outras aí em NOSSO belo País.

    Sorte e sucesso a vc e toda a equipe do Floripa cool,

    abracos,
    Sandra Medeiros

    Berlim-Germany

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