Open Road

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A realidade é desejável e incentivada pela maioria das pessoas sãs.

É o objetivo de muitas terapias, como deveria ser. Enfrentar e chegar a um acordo com o que é é um ato benéfico.

A aceitação traz paz. E frequentemente é a virada para mudanças. Ela enfrenta cada dia a perspectiva de aceitar ou rejeitar a realidade daquele dia em particular e de suas circunstâncias presentes.

Todos têm muitas coisas para aceitar no curso normal da vida, desde o momento em que abre-se os olhos ao acordar pela manhã até fechá-los, à noite. Em certos dias é mais fácil aceitar essas circunstâncias. Acontece naturalmente. Seu cabelo está ajeitado, o chefe está de bom humor, a casa está limpa, o carro funciona perfeitamente… Sabe-se o que esperar e o que se espera é aceitável. Tudo bem. Mas em outros dias as coisas podem não correr tão bem. Suas presentes circunstâncias foram alteradas e ela precisou aceitar uma situação nova. Ela poderia inicialmente reagir negando ou resistindo à mudança, ao problema ou à perda. Queria que as coisas ficassem como eram antes. Queria se sentir confortável de novo. Queria saber o que esperar. Mas deparou-se com janelas quebradas, encontros não cumpridos, mentiras deslavadas.

Porém, a perda mais dolorosa que ela sentiu foi a perda de seus sonhos, de sua esperança, das expectativas idealistas para o futuro que a maioria das pessoas tem. Suas esperanças não incluíam tamanha perda, seus sonhos não incluíam isso. Ela se agarrou por muito tempo aquele sonho, voou diante da realidade, acenando com esses sonhos para a verdade. Mas um dia a verdade a prendeu e não quis mais aceitar rejeição ou negação. Não foi o que ela desejou, planejou, pediu ou esperou. Nunca seria. O sonho estava morto, e nunca mais voltaria a viver. E nada morre mais lentamente ou mais dolorosamente do que um sonho.

Até mesmo a recuperação traz perdas, mais mudanças que ela deve lutar para aceitar. Esperanças esmagadas são esperanças esmagadas. Decepções são decepções. Mas ela decidiu aceitar, foi sincero, veio de dentro. Decidiu que deveria conquistar o estado de paz novamente. Mas como? Como ela poderia encarar toda a realidade sem piscar os olhos ou sem cobrí-los? Como aceitar aquela coisa dolorosa? Não sem antes gritar e espernear um pouco. Depois que ela fechou os olhos, gritou, esperneou e negociou, finalmente sentiu a dor e chegou ao estado de aceitação. E a aceitação não foi confundida com um estado feliz, é quase uma ausência de emoções. É como se a dor tivesse passado, a luta tivesse acabado. Ela está em paz com as coisas como são. Está livre para ficar, livre para ir, livre para tomar quaisquer decisões que precise tomar. Está livre!

Aceitou sua perda por maior que seja. Tornou-se uma parte aceitável de suas circunstâncias. Está se ajustando e se reorganizando. Não só se sente confortável com suas circunstâncias e as transformacões pelas quais passou, como acredita que de alguma forma se benefciou com isso mesmo não compreendendo totalmente como ou por quê. Parou de correr ou esquivar-se. Agora pode ir em frente. Não é muito confortável, na verdade é incômodo, às vezes, doloroso. Mas ela sabe que é resistente, em seu prório ritmo, a sua maneira caminha e diz para si mesma “a única maneira de sair é atravessando”.

Por Ka Mastria – escreve no Floripa Cool!! sobre o mundo dos descolados.

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